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06
nov

9 capas de discos que inovaram o campo de embalagem de música.

Alguns artistas não se contentam com capas tradicionais para seus discos. Uma coisa é contratar um designer talentoso para criar algo atraente e bonito, mas recusar-se a usar o formato tradicional de capinha e brochura já é outra coisa, e abre um mundo de possibilidades. É claro que, em tempos de mundo digital,  uma embalagem única e criativa pode ser uma maneira crítica para se capturar a atenção – e o bolso – daqueles que já abriram mão da mídia física quando se trata de comprar música. Essa tendência, porém, vem de bem antes da era digital – desde os anos 60, até a notícia do próximo lançamento do Wu-Tang Clan, veja abaixo nove exemplos de albums que reinventaram o conceito de capa de disco.

The Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)

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Poderíamos escrever um livro inteiro sobre a influência deste álbum dos Beatles sobre a cultura popular de música, mas a embalagem em si foi tão inovadora quanto a música. Foi preciso um time inteiro, liderado pelo diretor de arte Robert Fraser, para criá-la; a capa teve o design concebido por Peter Blake e Jann Haworth, e o coletivo de artistas holandês The Fool criou um envelope para o vinil bem mais colorido do que os consumidores estavam acostumados até então. O fotógrafo de rock Michael Cooper fotografou a banda com as figuras de papelão famosas (todos dos quais se precisou conseguir autorização) e, além de todos os prêmios para a música, o álbum também ganhou o Grammy de Melhor Capa de Disco, Artes Gráficas.

The Velvet Underground, The Velvet Underground & Nico (1967)

The Rolling Stones, Sticky Fingers (1971)

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Até quem nunca ouviu falar da música do Velvet Underground provavelmente saberia dizer que foi Andy Warhol que criou a icônica banana que aparece na capa do disco de estréia da banda. Nas primeiras impressões do álbum, era possível se “descascar” a banana – uma puta despesa para a MGM Records, a qual contava em capitalizar em cima do nome de Warhol.

Mas o que poucas pessoas sabem é que Warhol também fez uma capa de disco, na era pós-vinil, para os Rolling Stones. Sticky Fingers foi o primeiro álbum deles para a Atlantic Records, e o orçamento maior permitiu à banda o luxo de implementar a idéia de um zíper “de verdade”, que revelava a roupa íntima branca do artista quando aberto.

Pearl Jam, Vitalogy (1994)

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O terceiro disco do Pearl Jam foi o primeiro da banda a apresentar um conceito de CD que não era como uma caixa impessoal. A arte para o  material gráfico do álbum foi inspirada por um livro didático de medicina de 1899, e ao combinar as letras da banda com as imagens e texto de uma era com idéias já ultrapassadas sobre o estudo da vida, o Pearl Jam criou uma brochura que envolveu seu público e complementou a experiência de se ouvir o disco. A banda estava tão comprometida com a qualidade da embalagem deste álbum que os 50 centavos de dólar extras por CD que foram necessários para se produzir a mesma saíram do bolso da própria banda.

Spiritualized, Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space (1997)

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A evolução dos formatos de áudio não incluiu apenas CDs mas também, como alguns fanáticos por música preferem, os mini CDs de 3 polegadas. A edição especial para colecionadores do álbum Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space foi lançada num formato que parecia embalagem de remédio que alguns laboratórios farmacêuticos usam para alguns tratamentos. O disco vinha com 14 discos encapsulados individualmente na embalagem (um para cada música), que tinham que ser tirados da embalagem de alumínio, como fazemos com pílulas, na ordem em que deveriam ser ouvidos. A embalagem até incluía uma “bula”, informando sobre os possíveis efeitos colaterais de se ouvir a música da banda. Em 2009, uma edição especial de aniversário do álbum foi lançada num formato similar, junto com uma “receita” numerada assinada pelo fundador da banda Spiritualized, Jason Pierce.

The Flaming Lips, Gummy Song Skull EP (2011)

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Poucos artistas de grandes gravadoras são tão anti-convencionais – e esquisitos – quanto o Flaming Lips, que já conseguiu escrever uma música de sucesso sobre uma garota que descobre usos alternativos para vaselina, e já lançaram um álbum composto de quatro discos que tinham que ser tocados todos ao mesmo tempo. Mas em 2011, Wayne Coyne e sua turma se superaram ao lançarem um álbum de 4 músicas que vinham em um cartão USB dentro de uma caveira comestível enorme, feita com 3 quilos e meio de bala de goma. The Gummy Song Skull EP foi lançado em quantidades limitadas, das quais o líder Wayne Coyne em pessoa distribuiu algumas das primeiras cópias numa loja de discos em Oklahoma, nos Estados Unidos.  As cópias se esgotaram imediatamente, e ele teve que voltar em casa e buscar mais. Mas eles não pararam aí – a banda em seguida lançou outro álbum ainda mais bizarro, o Gummy Song Fetus.

Julian Casablancas + The Voidz, Tyranny (2014)

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Na era da música digital, é uma boa idéia que o meio físico da escolha do artista também tenha uma função útil. Para promover seu disco do líder dos Strokes com sua nova banda, Julian Casablancas distribuiu MP3s das faixas do álbum em USBs que também são mini isqueiros. É uma forma inteligente para um artista de incorporar seu disco num objeto que alguns fãs não saem de casa sem, também estimulando uma conversa sobre o disco (e dessa forma, promovendo-o) com qualquer pessoa que peça o isqueiro emprestado. Da próxima vez que você pedir fogo para alguém, pode ser que você se veja descobrindo uma música ou banda nova que passou desapercebida nos meios mais tradicionais de publicidade.

Wu-Tang Clan, Once Upon a Time in Shaolin (2014)

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Por mais de 20 anos, o Wu-Tang Clan foram conhecidos pela sua confiança e audácia. O álbum Once Upon a Time in Shaolin, do qual eles fizeram apenas uma cópia e a venderam pela melhor oferta, poderia por muitos ser considerado o lançamento musical mais confiante e audacioso já feito na história. Planeja-se levar o disco único à galerias e museus, onde o público pagará uma taxa para se juntar a outros e ouvir a música, da mesma maneira em que você pagaria o ingresso de cinema para ver um filme. RZA, membro do Wu-Tang alega que já tem uma oferta de 5 milhões de dólares pelo álbum. Só o tempo dirá se o mesmo é tão bom quanto o resto da música deles, mas a qualidade do disco é quase irrelevante. Once Upon a Time in Shaolin já está levantando questões novas sobre a legitimidade da música como arte, e sobre como a arte pode ser consumida e comoditizada.

Ao memos tempo, o grupo acaba de anunciar outra inovação – seu próximo álbum queestará disponível para o público, A Better Tomorrow, será primeiro lançado na forma de um speaker portátil “Boombot”. Chamado A Better Tomorrow Special Play, a caixinha não apenas chegará aos fãs antes do lançamento do álbum completo, mas irá também incluir uma música exclusiva que não estará no disco final.

Fonte: Blog Shutterstock