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out

Preparado para a geração de apps conscientes?

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O mundo está cada vez mais appficado. Se pegarmos, por exemplo, a App Store, veremos que em junho deste ano estavam registrados 1,2 milhão de apps. Comparando com os 900.000 de junho de 2013, vemos que em um ano acrescentou-se 300 mil novos apps ou 25 mil a cada mês!

Novos hábitos sociais foram criados. O selfie é um deles. E começamos a descobrir que podemos inovar continuamente, uma vez que estes equipamentos estão cada vez mais poderosos, com mais sensores e com uma nuvem de imensa capacidade computacional na retaguarda. Vemos casos interessantes como o Makeup Genius, da L´Oreal, que usa tecnologia de mapeamento facial para mostrar, aproveitando a onda selfie, como você ficaria com uso de determinados cosméticos. Vejam em http://www.lorealparisusa.com/en/brands/makeup/makeup-genius-virtual-makeup-tool.aspx.

Mas os apps podem dar um passo a mais.

Até agora a TI das empresas buscou automatizar os processos de negócios. Considerando o potencial de contextualizar as apps, podemos criar apps que incorporem os “mindflows” cognitivos na sua concepção. Sim, estamos falando de incorporar os padrões de pensamento que usamos quando desenvolvemos nossas tarefas. É uma evolução da programação do conhecimento explicito, declarativo, codificável em linguagem de programação, para o conhecimento tácito, muitas vezes intuitivo, que também usamos quando desempenhamos nossas tarefas.

É uma mudança de mindset. Nos processos declarativos, nós nos adaptamos ao software, como os processos impostos por um ERP. Em um app contextual, cognitivo, ele se adapta ao nosso contexto e os processos se ajustam dinamicamente as nossas intenções, dependendo do momento e do local que estivermos.

Estamos falando de uma nova geração de apps, as apps conscientes. Estas apps exploram nosso conhecimento tácito e nos ajudam tomar decisões e a prever situações. A própria natureza contextual da mobilidade requer que os processos de negócios tornem-se mais flexíveis. As apps conscientes usam um conjunto de evoluções tecnológicas, como os sensores, acrescido da computação em nuvem, reconhecimento de padrões, computação cognitiva e imensa capacidade de analisar dados em tempo real (in memory data bases) para ajudar o usuário na tomada de decisões ou na execução de determinadas tarefas.

Um exemplo simplista diferencia bem os dois mundos. No declarativo temos um GPS que simplesmente nos indica o caminho. Em uma app consciente o recurso do GPS é acrescido de conhecimento sobre as condições de tráfego e da agenda. O app consciente ajusta o caminho para minimizar o atraso, e orienta o usuário na sua tomada de decisões. Pode automaticamente avisar a pessoa esperada para a reunião vai demorar, mostrando onde ela está no momento e as condições do tráfego, com uma nova estimativa de horário de chegada. E, claro, com um pedido de desculpas…Se a agenda apontar uma peça de teatro, poderá negociar a troca do horário da sessão ou aconselhar o usuário a assistir a outra peça, em outro teatro, baseada no conhecimento de suas preferências.


As primeiras experiências já estão aí, como os agentes inteligentes Siri, Cortana e Google Now. Na minha opinião são ainda toscas amostras do que está por vir.

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As apps conscientes vão complementar os sistemas procedurais que temos, que em um horizonte previsível devem continuar existindo. Afinal, sempre teremos tarefas repetitivas para fazer e os computadores são ótimos para isso.

O nosso desafio será como construir tais apps. Estamos acostumados a desenvolver sistemas baseados na automação do conhecimento explicito, como ERPs e CRMs.

Devemos adotar novos métodos para capturar o conhecimento tácito como design thinking. É uma metodologia que ajuda a entender problemas que não estão claramente definidos, que estão mais no campo do conhecimento tácito do que no explicito. No processo de design thinking devemos simular os usuários no seu dia a dia de trabalho e aprender como intuitivamente desenvolvem determinadas tarefas. Bem diferente dos tradicionais modelos de especificação de sistemas que aprendemos nas ultimas décadas. É um pensar diferente. Em vez de curso de desenho de sistemas, frequentaremos o Hasso Plattner, Institute of Design at Stanford, em http://dschool.stanford.edu/. Quem diria que isto faria parte do currículo de um projetista de sistemas?

As apps conscientes reposicionarão a TI. Farão parte do portfolio das empresas e deverão se integrar aos sistemas e bases de conhecimento da organização. Não serão entidades isoladas. Por outro lado, seu valor para o negócio tende a aumentar significativamente e contribuir para a empresa se tornar cada vez mais digital. Afinal estamos bem próximos dos limites de eficiência operacional que a simples automação de processos pode gerar como resultado.

A TI moderna, portanto, não pode ficar limitada a automação e processos explícitos. Uma parcela significativa de geração de valor para o negócio vem do conhecimento tácito que seus funcionários usam no dia a dia e criar apps que suportem e facilitem estas atividades reposicionará o valor da TI.

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Fonte: IDGNow!